Tua ausência

Quase pronta para dormir…

Era mais uma noite de quarentena.

Depois de um dia privada de sono e muito estudo…

(Uma pena).

Olhei a data no celular…

Faltavam dez dias para o aniversário do meu “little prince”!

Meu homem!!

Vi minha imagem no espelho…

Meu abdômen…

Meus dedos tocavam aquele reduto

Símbolo de minha coragem

(Corajosa, sempre!)

Como uma gestante acaricia seu ventre…

Mas, algo mudou.

Estava faltando alguma coisa ali…

Um motivo para sorrir

Tristeza… Vazio…

De fato, estava…

Na verdade, eu já não tinha mais…

O desejo daquele sonho havia sido extirpado

Nunca mais teria a mesma sensação

Que eu senti com o homem da minha vida.

Jamais.

Um crime sem culpado.

E Toda vez que eu ouço “Go flex”

Lembro de você, e de todas as coisas que fez…

Que faz…

Tuas crises… Frustrações…

Momentos em que eu não estive presente. Desculpa.

Tu és capaz!

Amor que nasce da maternidade

É o maior sentimento do mundo.

Eu estou aqui. E sempre estarei.

Para sempre.

Junto.

(SOFIA PENEGRO)

Outra dose

Mais uma dose de você

Mais um pouco dessa droga

Que parecia tão inofensiva.

Aos poucos, eu era tocada

Suas mãos

Exploravam as pétalas de rosas

Mais delicadas

Do meu jardim

Você queria… Eu também.

O teu beijo de “conto de fadas”

Surpreendente!! Me deixou desinibida

Como você queria

Estava afim…

O liquor da tua boca ficou.

Veneno que vicia

Me penetrou.

Me mata por dentro

Profundo e lentamente

Satisfazendo-te

Por que tem de ser assim??

Te amo? Te odeio?? Nem sei mais…

O que você fez comigo…

Fui toda sincera

Mas, você chegou e mentiu…

Meu coração sangrou…

Está doendo muito.

E, todas as vezes que eu sinto

Essa melodia

Ela vem e invade meu ser

Sem permissão

Eu não permito!

Agora, estou

Ouvindo tua voz chamando meu nome

Sentindo

O teu cheiro evocando

As doces lembranças

Que restaram de nós

Sua imagem no telefone…

Queria que fosse… Mas, não…

Sem querer

Caiu uma gotinha de sangue

No chão.

(SOFIA PENEGRO)

Molho especial

Estava falando de massagem

Ops!! É Sacanagem

Com meu irmão

Putz!

É minha irmã!

É complicado

Na verdade,

Ele tem namorado.

Eu declarei a ele

Meu medo

De confessar um vício

Ao meu amado

Deveras, tenho muito apetite

Não nego

Por isso, ele quer que eu espere

Meu príncipe decidir

O que quer, realmente

Se esse lance vai para frente

(Sei que vai…)

Não sou qualquer mulher

Então, exijo ser tratada como tal

Por isso, nada de “can back”

Meu amor!

Sou mulher que gosta muito

Da coisa

E dou muito valor

Na hora “H”, é tanto inglês

Tipo “fuck me!”

E, quase sempre

(Quase molho…) “Bareback!”

Esse tipo

Eu não resisto!!

Tenho fome.

(SOFIA PENEGRO)

Insônia

Meus Deus!!! São 5h da manhã!!

Toda noite, é isso!

Essa mesma tortura para dormir

Viro de um lado

E do outro

E não tem jeito.

Meus pensamentos me perturbam

Ficam na minha cabeça

É tanta coisa para pensar

Para resolver

Contas a pagar

Faculdade… Profissão.

Talvez, o que mais incomode

É a solidão

Ou solitude??!

Falta de sexo?!

Talvez.

Em meio a tantas dúvidas e questões

Ela aparece para mim:

A insônia

Mas, é dela que vem

Boa parte dessa produção

Palavras e versos que alimentam

Minha inspiração.

(SOFIA PENEGRO)

Saudades de Sofia

Ela sentia saudades dele

Ele sentia saudades dela…

Mas, pouco se falavam

Nunca se encontravam.

Sequer, se viam.

Ainda.

Era sempre um “bom dia!”

Que aparecia

Na tela do celular.

Às vezes, “boa noite!”

Tarde da noite

Para que, ambos, pudessem lembrar

Um do outro.

Como se aquilo

Trouxesse algum conforto

Aos corações aflitos e solitários

Dessa menina

E, daquele moço.

Trocando carinho

De um lado

E do outro

Piadas e sorrisos

Eram constantes nas conversas

Até mesmo as massagens

Virtuais

Que desejam ser reais

Pareciam surtir efeito

Nesse relacionamento um pouco sem jeito.

Era medo de um lado

Insegurança do outro

Apesar de tantas dúvidas,

Um pedido da moça

Revelou ao moço

Um desejo escondido.

Não estava claro,

O desejo

Mas, inconscientemente

O rapaz entendeu o apelo

Afinal, ele também escondia

O seu desespero.

De vez em quando, dizia:

“Sinto saudades de Sofia”

Era carente

Ele

Ela

Ficava contente

Com o “sincericídio” despejado

Por ele

Depois de vários desencontros

Se encontraram.

E se gostaram.

Foi ali, onde tudo começou.

(SOFIA PENEGRO)

Mestiço bi*

Eu estava caminhando com meus dedos,

No teclado

Quando encontrei você

Parecia servir em meus padrões

Idealizado.

Foram anos de conversas…

De psicoterapia… De promessas

Eu já te conhecia tanto

De tudo que eu pude tirar de você

Já não existiam mais segredos… Mistérios

Estava tudo revelado!

Você havia me contado

Algo que jamais tinha falado,

Para ninguém!!

O teu segredo era secreto

Tão guardado dentro de ti

Que nem mesmo você sabia

Da verdade.

Foi num mergulho profundo

Que percebi, mestiço sansei

Sua *bissexualidade.

Para os mais íntimos,

Você é um menino gay.

(SOFIA PENEGRO)

“Yukio”

Eu sempre ouvia o povo falar que, pênis de japonês é pequeno. Essa questão me deixava curiosa em relação ao tamanho do membro de um oriental.

Num dado momento, conheci Yukio por acaso (não sei)… Por aí. Noutro ambiente. Um japa lindo! Magro e alto (as pessoas pensam que todos os japoneses são baixos. Mas, isso não é verdadeiro). E o interesse foi mútuo. O envolvimento, inevitável. Ambos, sensuais e intensos. Estávamos no auge de nossa juventude. Livres e solteiros. A conexão foi instantânea. E, passamos a nos comunicar com certa frequência.

No decorrer dos dias, essa frequência de contato foi aumentando… Até chegar ao ponto de ficarmos um dia inteiro nos falando, por videochamada. Sem perceber, acordávamos e dormíamos juntos, mesmo à distância. Estávamos viciados um no outro. Isso se prolongou por dias… Semanas… Até que, resolvemos viver tudo aquilo de verdade, na real. Combinamos em dormir juntos no final de semana.

Era sábado à noite. Estávamos animados. Nos encontramos no mirante mais lindo da cidade… No ponto onde une-se e separa-se duas vidas. Vista linda!! Noite perfeita!! O mar refletia a lua cintilante!!

Seguimos ao motel com muita conversa e carinho, ao longo do trajeto. Reservamos uma suíte confortável e bonita para nós. Estávamos prontos para vivenciar tudo o que foi “ensaiado” durante várias semanas. Era muita empolgação!!

Passava das 21h, e já tínhamos jantado. Fui ao banheiro me preparar para deitar. Ele ficou no quarto, tirando a roupa. Estava me esperando na cama. Eu sai do banheiro vestida numa linda camisola preta! Toda rendada com pequenos cristais no decote e laterais. Ele me viu e ficou encantado!! Seus olhos brihavam! Estávamos transbordando alegria. Yukio segurou-me, dizendo que eu estava linda. E me conduziu até a cama, junto dele.

Iniciou beijando minha mão, delicadamente. Foi beijando… Até chegar ao pescoço, debaixo dos meus cabelos. Foi seguindo a linha do queixo… Lábios… Beijando-me profundamente a boca. Aqui, onde o fogo começou. Ele seguiu acendendo essa chama por todo meu corpo. Mordendo, suavemente, meus mamilos.

Os lábios de Yukio queimavam minha pele de tesão! Eles eram quentes e carnudos. E, cada pedacinho onde ele tocava, deixava-me cada vez mais excitada e úmida. Seu beijo era marcante. Excessivamente provocante! Meteu sua mão dentro de mim… Sua língua… Seu caralho!! E que caralho!! Fui tão surpreendida com o tamanho do seu pau, de formato cogumelo… Aquela “chave” entrou perfeitamente em minha “fechadura”. Ele ficou surpreso, também, com tamanha perfeição!! Entrou tão apertado e gostoso… Yukio sentiu vontade de morar ali, para sempre. Entre minhas pernas.

Passamos a noite toda num movimento de entra- e- sai; por baixo e por cima. De quatro. Cavalgando, naquele membro rígido e fora do comum. Dormimos exauridos. As descobertas que fizemos foram incríveis e inesquecível.

Na manhã seguinte, fui acordada com um beijo na boca. Tomamos banho, e um rico café da manhã. Logo, chegou a hora de partir. A clássica cena da despedida, com abraços, beijos e promessas. Dali, só restaram as lembranças. Seguimos nossas vidas.

(SOFIA PENEGRO)

“Cuida de mim!”

Ela o conheceu em um mundo paralelo

Sentiu que ele podia ser mais um candidato

Um pretendente

E viver em seu mundo real.

A construir um castelo.

Sua vontade foi passando

Quando, de fato

Conhecera o viril libanês

Sua voz rouca e palavras desencontradas

Condenavam seus vícios e pretensões:

-Sua promessa de cuidado

Não passava de um eufemismo

Para disfarçar sua vontade de me ter

Sem a responsabilidade de assumir

Quaisquer compromissos.

Veja só!

Me ter para meter, sempre.

Enquanto me despia

Aparecia a verdade em suas ações

E assim, ficava claro

Que a oferta de cuidado

Nada mais era que um pedido de atenção

De um pobre carente

Um pobre safado.

(SOFIA PENEGRO)

Menina Psico

Essa menina sonhadora

Sensível em sua essência

Insiste em viver a liberdade

Mas, ela apenas se machuca

Todas as vezes

Quando descobre que essa liberdade que tanto deseja

Existe apenas nas palavras e manifestações de feministas.

Menina Psico

Que insiste em entender o homem e suas ações

Não percebe que, nele, apesar de tanta bondade

Também, ali, existe a maldade.

Sorte dessa menina

Ter amigos com quem contar

Quando menos se espera

Há sempre uma mão para lhe ajudar.

Menina doce, que encanta

Com suas palavras, seu sorriso

Seus contos.

Mesmo sendo contos de mentira

Contos inventados

Contos que ela tirou da realidade

Mas, nunca pôde revelar

Contos de sua intimidade

Intimidade de outrem

Um passageiro que parou nessa estação

E ficou algum tempo lá

Partindo em seguida.

Mas, deixando fragmentos de seu coração

Na vida. Na história.

Essa menina só quer amor.

Só quer amar.

Mesmo que sinta dor

Ela não pára

Não vai parar

Até conquistar o seu grande desejo

Ser paz e amor na vida de alguém.

(SOFIA PENEGRO)